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Listas, listas...
7 coisas que eu quero fazer antes de morrer
7 coisas que eu mais falo
Desafio feito, desafio aceito!
Abomino correntes... Mas quando são legais, eu costumo não quebrá-las. É o caso dessa que a Debbie passou... Não vou repassá-la a ninguém, mas quem quiser ser “acorrentado” também, fique à vontade...

Éramos duas pessoas
Amanheci quieto dentro de mim, as vozes do meu eu calaram-se, perturbara-me menos na noite passada. Passei a manhã inteira cercando o cigarro que me fitava como um carrasco... Almíscar, perfume barato, aroma provenientemente voluptuoso adentrava minhas narinas. Eu, pecador. Eu, leigo de mim mesmo, perdido, à beira do abismo. Quem eu sou? O que eu sou? O que eu já fui? Tantas perguntas... E meu sexo, escroto e barato, nunca me dará as respostas... Mas, mesmo assim, amanhã sairei de casa, andarei pelos becos escuros a procura de transa fácil... Meu corpo é sujo, minha alma é perdida...
Adianto agora os passos para chegar mais cedo ao encontro comigo mesmo num exercício desequilibrado de auto aceitação. Interrogo este verme que tem minha imagem refletida ao espelho quando me vejo. Arranco meus trapos, deslizo nu na água morna... Lavo meu corpo, minhas taras com água sanitária para tirar qualquer resíduo promíscuo que não sai da minha mente, mas não desvincula do meu corpo. Grito, choro, luto comigo mesmo, sou um covarde. Me arrumo e saio de casa.
Meu gozo não me satisfaz... Minha companhia não me satisfaz... Minha vida não me satisfaz... Tenho eternamente um nó na garganta, uma palavra presa, palavra que busco, mas não a encontro.
No desespero faço meus pulsos sangrarem... É bonito ver o sangue escorrendo e sujando o chão branco do banheiro daquele prostíbulo imundo. Esse meu vício é um prazer efêmero, o único que ainda me é proporcionado.
Misturado ao esperma, o almíscar já nem cheira tão forte, sinto nojo do que me transformaram... Ou eu me transformei? Ah, vozes malditas... O outro eu me culpa incessantemente. Travamos guerra... Dualismo! Quem vive? Quem morre? O que é a verdade, o que eu sou por fora ou o que sinto por dentro? Será os meus dois EU's a verdade?
No caminho de volta à minha casa, me lembro de passagens significativas da minha existência. Resultado da bebida em abundância, do sexo mal feito e do asco a mim mesmo. Eu me reviro
(E meu outro eu também sou eu. Aprendi que é essa coexistência que me permite ainda existir. Yin, o lado feminino, passivo, terrestre, absorvente, frio e obscuro do meu ser. Yang, o lado masculino, ativo, celeste, penetrante, quente e luminoso. Ainda procuro pelo ponto de equilíbrio, mas agora consciente da necessidade de ser dois em um.).
Escrito por Júnior Creed e Darlan Costa
Para conhecer o blog do Darlan, clique aqui
“Don´t try to wake me
In the morning
´Cause I will be gone...”
(Asleep, The Smiths)

“...Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver...
Que eu to voltando pra casa...”
(Casa, Lulu Santos)

No caminho de volta eu pensei em tanta coisa... principalmente em como é bom estar vivo e atento para a vida.
Começando a escrever de trás pra frente, é um fato. Quem pediu linearidade? Acredito que essas curtas férias foram tudo, exceto típicas e lineares. Eu estava precisando respirar novos ares. Dias calmos, agitados, de muito sol, de chuva de verão, de calores intensos, amigos novos e velhos. Se o mundo parasse num eclipse total poderíamos ser achados mediante o brilho que emanava dos sorrisos. Bienal de artes da UNE... O Brasil se misturando em cores, estilos e agitos. Do baile funk ao som poético do Lenine, reggae, dance, Bossa nova, Gilbero Gil... Há diversos Brasis dentro do Brasil, já disse alguém, mas talvez não captemos a idéia ao vislumbrar misturada a miscigenação. Eu me perdia em olhares curiosos... aqui, ali, hoje, amanhã... os dias passaram rápidos. Mas num curto espaço te tempo, pude rever valores, conceitos, quebrar preconceitos. A praia do Leme, fantasticamente estratégica, nas proporções mais minimalistas, inspira paz. Ah, Rio de Janeiro de tantas pessoas, numa semana alegria, na outra choro. Arrastaram não só uma criança pelas ruas, arrastaram uma vida. Agora flores vermelhas vestem-se de um grito que pede escandalosamente PAZ. E no submundo há desespero...
Ah, agora tudo que mais preciso é voltar à ativa, há ainda preso em mim a vontade de ficar quietinho lendo um livro deitado na minha cama, escutando Legião Urbana no volume máximo... Me lembro das pedras do Arpoador, cantadas em verso e prosa pelo Cazuza, lugar onde eu também vaguei... Aos poucos a vida vai voltando ao normal... Vagarosamente...