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“…Clothes of sand have covered your face
Given you meaning, taken my place
So make your way on, down to the sea
Something has taken you, so far from me…”
(Clothes of sand, Nick Drake)
Eu vislumbro a magia da ausência consentida... Me expulso das vidas alheias com a doçura de um cão raivoso e a maldade de uma flor desabrochando. Não é fácil me deslocar da consciência pesada, das amarras da alma. Eu me permito voltar, refazer o caminho, suprir minhas necessidades esquecidas no trajeto. Mas, acredite, é, de fato, muito complexo renegar afeto, largar a mão na caminhada.
Tudo se mantém vívido, quente... Há momentos, e eles falam por si, horas de ternura cúmplice, afeto, fogo no coração... Haja vista que ao inserir sentimentos em atos ou pessoas, as coisas deixam de ser simples, eis a visão paradisíaca da reciprocidade do calor humano. Mas se um amor, que ousava dizer o nome até então, deixa de arder em brasa o rubor de um olhar intenso, é preferível viver a ilusão da existência de algo que já não vive, faz tempo? Porque sempre vai ser mais simples... Desobstruir os poros ao invés de deixar a poeira do tempo alojada no rosto ressecado... Não aceito que a paz doada seja imóvel, crédula e dogmatizada, há a necessidade de liberdade. E aí se mantém inerte uma questão: Ao retomar as apolíneas nomenclaturas estilizadas e referidas aos outros, eu não viso fazer o elo mais contundente da história, apenas amedronto os fantasmas que crio em horas insones.
Pedindo ao tempo que sirva de alicerce a reconstituir o seu coração agora partido, na nossa história, eu desejo um ponto final e não mais reticências a acalentar as feridas abertas, sangrando, intransferíveis. De agora em diante, vai ser tudo menos complexo do que esperar sentado telefonemas em noites eternas, escravizado por um simples barulho que não se faz audível ou um sorriso que esconde por trás da pseudo beleza, uma desilusão.

Ian Curtis in a lonely place
Em 18 de maio de 1980, Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division, se suicidou. Eu ainda não era nascido e só soube desse fato uns quinze anos após o meu nascimento. Numa entrevista, o Renato Russo admitira ser a banda uma das maiores influências da Legião Urbana. Eu, na adolescência, fascinado por rock and roll e já saturado dos meus maiores ídolos terem morrido, encontrei na poesia emblemática da musicalidade do grupo de Manchester, mais um apoio às horas de pensamentos inconstantes. Kurt Cobain já tinha morrido, Renato Russo e Cazuza também, mas ainda eram minhas companhias mais constantes. Eis que entra Ian Curtis na minha vida, mais um personagem morto, mas vivo
É estranho e complexo admirar uma pessoa que morreu antes mesmo de ter podido vê-la, em seu auge. Mas é compreensível que a história de Ian Curtis me atraia de forma devastadora. Ele foi mais um gênio incompreendido, talvez obscuro demais para o período que viveu. Quando leio algumas de suas letras, me reporto a uma pessoa mais velha, um senhor cheio de nostalgia, melancolia e uma capacidade mórbida de inquietação, mas ele tinha apenas 23 anos. Muito se fala sobre o seu suicídio, inclusive que já era esperado. Analisam pensamentos incoerentes de que o morrer cedo foi proposital. Um James Dean do rock, possivelmente, que queria viver rápido para morrer cedo. Eu não concordo. Não defendo os suicidas, embora os respeite, sem qualquer dogma religioso que analisa a situação de um ponto de vista cercado de conceitos pré-concebidos palpados em versículos da Bíblia. Não faço apologia ao suicídio, não acho bonito tirar a própria vida, mas entendo o “é melhor queimar do que se apagar aos poucos”, pensamento que o vocal do Nirvana tornou sólido e que tão bem se enquadra para Ian Curtis.
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“Desespero, melancolia, angústia, dor, mistério... Combinados e apresentados de maneira poética e emocionante. Assim, Ian Curtis tornou-se um mito, e um dos mais obscuros músicos de sua época.”

Desejo in-verso
O meu eu grita teu nome
Sem, ao menos,
Saber como te chamas.
Ele clama por ti
Chora por tua presença
E essa dor que só aumenta
Toma conta de mim.
Mãe,
“...Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos...”
(Velha infância, Tribalistas)
Aproveitando a visita “ilustre” do Papa (Chico) Bento XVI ao nosso país...

Dez perguntas do mundo GLS para o papa, que visita o Brasil, em maio.
1- Se Deus é amor, por que é pecado amar uma pessoa do mesmo sexo?
2- Se Jesus vivesse hoje, ele só escolheria apóstolos homens?
3- Se o sr. não fosse papa, adotaria uma criança africana ou judia?
4- O que o sr. diria a um casal cujo filho foi batizado por um padre pedófilo?
5- Se perguntar não ofende, por que nenhuma igreja tolera ser questionada?
6- Que sites o sr. visita na internet e que tipo de e-mail spam o sr. recebe?
7- O que um papa faz para se divertir? Só viaja?
8- Os seus sapatos são realmente Prada, como especulam os fashionistas?
9- O Zé Simão chama o sr. de rottweiler de Deus. O sr. cria algum cachorro?
10- E São Sebastião, hein?!
Perguntas retiradas da Folha Online, você pode ler a postagem original clicando aqui
Ontem acordei pensando que talvez eu leve anos destruindo e reconstruindo cada sonho meu... Será que nem mesmo o desejo contínuo de suas realizações seria uma mola que me impulsionasse a não apenas acreditar neles, mas correr atrás? Passei anos da minha vida lutando para me colocar num patamar que não almejasse as desistências comuns de um ser humano pérfido e fraco, mas num determinado momento cheguei a conclusão de quão inevitável é essa força nefasta e feroz de nos reduzirmos ao pó de nossas próprias insignificâncias. Levei milhares de anos construindo imagens, retratos, subsídios que fossem capazes de entorpecer a mim mesmo ou a todos ao meu redor numa Tsunami feroz de sentimentos convulsionados... E vejam só: na minha Dogville eu não queimei a vila, não matei as pessoas, não deixei que o fogo sem misericórdia tomado pelo meu ódio esturricasse as entranhas daqueles que me fizeram mal. Se nesse dualismo instaurado pela genealogia da moral, eu sou forte ou fraco, nem eu mesmo sei... Mas cheguei a uma nobre conclusão que nas guerras que fui derrotado, foram nessas que levei uma medalha de congratulação, sem menosprezo, carência, angústia... Lutei até o fim como fazem os vencedores que nem sempre ganham no final. Nas batalhas armadas das quais saí vencedor com pompas e circunstâncias demasiadamente forjadas pelo meu ego doentio, eu fui mero reprodutor de falácias sofisticas, não me enxergaram como ser “sentimento”, mas espectador de seres pensantes projetados num labirinto confuso. Importuno minhas anotações localizadas no córtex cerebral pedindo perdão a Deus e o mundo pelos meus atos sombrios... O remorso nada mais é do mero visualizar e sentir da consciência que capta os nossos instintos mais animalescos nos punindo da pior maneira possível, sem faca apontada pro peito, nem revólver apontado pra boca. Seria uma linda pintura ou um mero mosaico expressionista se isso tudo não fosse verdade... E as pecinhas desse imenso mosaico que me constituí com o passar dos anos são formadas pelos infortúnios de meus nobres sentimentos. A tinta que pinta minha alma como projeção daquilo que sinto é a mesma que pinta a noite turva rodeada pelo canto de um corvo, se há alguma maldição no caminho, eu o contorno e avisto de longe a decepção daqueles que imaginavam me ver na lama. Por que nem só de amargura vive meu coração... Acredite ou não, hoje eu amanheci com vontade de gritar tudo isso, respirar aliviado, ajustar o foco e sorrir de novo!