Eu Sou


Eu... Poeta fajuto, filósofo de beira de estrada, existencialista luxuoso, burguês mal amado, palhaço triste... Uma contradição... Por fim, anjo com asas de arlequim, com muito orgulho!

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“…Clothes of sand have covered your face
Given you meaning, taken my place
So make your way on, down to the sea
Something has taken you, so far from me…”

(Clothes of sand, Nick Drake)

 

Eu vislumbro a magia da ausência consentida... Me expulso das vidas alheias com a doçura de um cão raivoso e a maldade de uma flor desabrochando. Não é fácil me deslocar da consciência pesada, das amarras da alma. Eu me permito voltar, refazer o caminho, suprir minhas necessidades esquecidas no trajeto. Mas, acredite, é, de fato, muito complexo renegar afeto, largar a mão na caminhada.

 Tudo se mantém vívido, quente... Há momentos, e eles falam por si, horas de ternura cúmplice, afeto, fogo no coração... Haja vista que ao inserir sentimentos em atos ou pessoas, as coisas deixam de ser simples, eis a visão paradisíaca da reciprocidade do calor humano. Mas se um amor, que ousava dizer o nome até então, deixa de arder em brasa o rubor de um olhar intenso, é preferível viver a ilusão da existência de algo que já não vive, faz tempo? Porque sempre vai ser mais simples... Desobstruir os poros ao invés de deixar a poeira do tempo alojada no rosto ressecado... Não aceito que a paz doada seja imóvel, crédula e dogmatizada, há a necessidade de liberdade. E aí se mantém inerte uma questão: Ao retomar as apolíneas nomenclaturas estilizadas e referidas aos outros, eu não viso fazer o elo mais contundente da história, apenas amedronto os fantasmas que crio em horas insones.

Pedindo ao tempo que sirva de alicerce a reconstituir o seu coração agora partido, na nossa história, eu desejo um ponto final e não mais reticências a acalentar as feridas abertas, sangrando, intransferíveis. De agora em diante, vai ser tudo menos complexo do que esperar sentado telefonemas em noites eternas, escravizado por um simples barulho que não se faz audível ou um sorriso que esconde por trás da pseudo beleza, uma desilusão.

 



- by Júnior Creed at 18h19
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Ian Curtis in a lonely place

Em 18 de maio de 1980, Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division, se suicidou. Eu ainda não era nascido e só soube desse fato uns quinze anos após o meu nascimento. Numa entrevista, o Renato Russo admitira ser a banda uma das maiores influências da Legião Urbana. Eu, na adolescência, fascinado por rock and roll e já saturado dos meus maiores ídolos terem morrido, encontrei na poesia emblemática da musicalidade do grupo de Manchester, mais um apoio às horas de pensamentos inconstantes. Kurt Cobain já tinha morrido, Renato Russo e Cazuza também, mas ainda eram minhas companhias mais constantes. Eis que entra Ian Curtis na minha vida, mais um personagem morto, mas vivo em intensidade. Não se sabe a causa de sua morte, muito se comenta. Falam de depressão, drogas, conflitos internos e externos. O que se sabe é que na noite anterior, ele pediu que a esposa o deixasse só, fumou muito e bebeu Whisky, assistiu um filme dirigido pelo Werner Herzog (Mesmo diretor de “O enigma de Kaspar Hausen”, um dos meus clássicos favoritos) e escreveu um bilhete pouco antes de ser enforcar. "Já não agüento mais", foi uma de suas últimas frases.

É estranho e complexo admirar uma pessoa que morreu antes mesmo de ter podido vê-la, em seu auge. Mas é compreensível que a história de Ian Curtis me atraia de forma devastadora. Ele foi mais um gênio incompreendido, talvez obscuro demais para o período que viveu. Quando leio algumas de suas letras, me reporto a uma pessoa mais velha, um senhor cheio de nostalgia, melancolia e uma capacidade mórbida de inquietação, mas ele tinha apenas 23 anos. Muito se fala sobre o seu suicídio, inclusive que já era esperado. Analisam pensamentos incoerentes de que o morrer cedo foi proposital. Um James Dean do rock, possivelmente, que queria viver rápido para morrer cedo. Eu não concordo. Não defendo os suicidas, embora os respeite, sem qualquer dogma religioso que analisa a situação de um ponto de vista cercado de conceitos pré-concebidos palpados em versículos da Bíblia. Não faço apologia ao suicídio, não acho bonito tirar a própria vida, mas entendo o “é melhor queimar do que se apagar aos poucos”, pensamento que o vocal do Nirvana tornou sólido e que tão bem se enquadra para Ian Curtis.

“Desespero, melancolia, angústia, dor, mistério... Combinados e apresentados de maneira poética e emocionante. Assim, Ian Curtis tornou-se um mito, e um dos mais obscuros músicos de sua época.”

 



- by Júnior Creed at 13h24
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Desejo in-verso

 

O meu eu grita teu nome
Sem, ao menos,
Saber como te chamas.
Ele clama por ti
Chora por tua presença
E essa dor que só aumenta
Toma conta de mim.

 



- by Júnior Creed at 14h11
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Mãe,

 

“...Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só

Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos...”

 

(Velha infância, Tribalistas)

 

 

A gente se fala por meio de olhar, cruzamos  um olhar no outro, nem precisa ser firme, a intuição parece dominar qualquer vestígio de sincronicidade... Só ela sabe quando não estou bem, e vem ficar ao meu lado, me suporta, me conforta. Tem coisas que nunca disse a ela, mas ela sabe. rimos muito quando estamos  juntos, e a risada gostosa, ampla, parece dominar todos os cômodos da casa. Eu tenho a ironia dela, por vezes. A gente aguça o humor negro na sintonia fina, sem maldade, sem desprezo. Ela me passou valores... E só sou o que sou hoje, porque segui pelo caminho que ela me indicou. Ela faz graça da minha cara de menino mal, fachada que uso para me defendar e derrete a sobriedade que insisto em manter,pois sabe meus pontos fracos. Gostamos de ver filmes juntos, mas ela gosta de comédias e eu gosto de dramas, ela diz que meu gosto é de velho e tem uma vida social mais agitada que a minha. Eu não ando em grupos, ela sim. Sempre me pergunto o que sou dela... sou filho? Mais pareço um amigo. Acho que sou as duas coisas. Às vezes brigamos por besteiras, mas fazemos as pazes em seguida. Quando acordo, ela já está de pé, preparando meu leite com achocolatado, pois não tomo café. Eu tenho manias, ela conhece todas e respeita. Não saio de casa sem um beijo dela... outro dia achei um papel meio amassado num baú que ela guarda na cômoda, era um desenho feio e mal pintado, eu assinava a gravura, ela guardou meu primeiro desenho, pra sempre.



- by Júnior Creed at 18h39
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Aproveitando a visita “ilustre” do Papa (Chico) Bento XVI ao nosso país...

 

 

Dez perguntas do mundo GLS para o papa, que visita o Brasil, em maio.

1- Se Deus é amor, por que é pecado amar uma pessoa do mesmo sexo?

2- Se Jesus vivesse hoje, ele só escolheria apóstolos homens?

3- Se o sr. não fosse papa, adotaria uma criança africana ou judia?

4- O que o sr. diria a um casal cujo filho foi batizado por um padre pedófilo?

5- Se perguntar não ofende, por que nenhuma igreja tolera ser questionada?

6- Que sites o sr. visita na internet e que tipo de e-mail spam o sr. recebe?

7- O que um papa faz para se divertir? Só viaja?

8- Os seus sapatos são realmente Prada, como especulam os fashionistas?

9- O Zé Simão chama o sr. de rottweiler de Deus. O sr. cria algum cachorro?

 

10- E São Sebastião, hein?!

 

 

 

Perguntas retiradas da Folha Online, você pode ler a postagem original clicando aqui              



- by Júnior Creed at 19h54
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Ontem acordei pensando que talvez eu leve anos destruindo e reconstruindo cada sonho meu... Será que nem mesmo o desejo contínuo de suas realizações seria uma mola que me impulsionasse a não apenas acreditar neles, mas correr atrás? Passei anos da minha vida lutando para me colocar num patamar que não almejasse as desistências comuns de um ser humano pérfido e fraco, mas num determinado momento cheguei a conclusão de quão inevitável é essa força nefasta e feroz de nos reduzirmos ao pó de nossas próprias insignificâncias. Levei milhares de anos construindo imagens, retratos, subsídios que fossem capazes de entorpecer a mim mesmo ou a todos ao meu redor numa Tsunami feroz de sentimentos convulsionados... E vejam só: na minha Dogville eu não queimei a vila, não matei as pessoas, não deixei que o fogo sem misericórdia tomado pelo meu ódio esturricasse as entranhas daqueles que me fizeram mal. Se nesse dualismo instaurado pela genealogia da moral, eu sou forte ou fraco, nem eu mesmo sei... Mas cheguei a uma nobre conclusão que nas guerras que fui derrotado, foram nessas que levei uma medalha de congratulação, sem menosprezo, carência, angústia... Lutei até o fim como fazem os vencedores que nem sempre ganham no final. Nas batalhas armadas das quais saí vencedor com pompas e circunstâncias demasiadamente forjadas pelo meu ego doentio, eu fui mero reprodutor de falácias sofisticas, não me enxergaram como ser “sentimento”, mas espectador de seres pensantes projetados num labirinto confuso. Importuno minhas anotações localizadas no córtex cerebral pedindo perdão a Deus e o mundo pelos meus atos sombrios... O remorso nada mais é do mero visualizar e sentir da consciência que capta os nossos instintos mais animalescos nos punindo da pior maneira possível, sem faca apontada pro peito, nem revólver apontado pra boca. Seria uma linda pintura ou um mero mosaico expressionista se isso tudo não fosse verdade... E as pecinhas desse imenso mosaico que me constituí com o passar dos anos são formadas pelos infortúnios de meus nobres sentimentos. A tinta que pinta minha alma como projeção daquilo que sinto é a mesma que pinta a noite turva rodeada pelo canto de um corvo, se há alguma maldição no caminho, eu o contorno e avisto de longe a decepção daqueles que imaginavam me ver na lama. Por que nem só de amargura vive meu coração... Acredite ou não, hoje eu amanheci com vontade de gritar tudo isso, respirar aliviado, ajustar o foco e sorrir de novo!

 

 



- by Júnior Creed at 07h17
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