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Quase história de amor *
Então tá! Você vem de um jeito bem faceiro, fazendo cara de medo e arromba as portas do meu coração. Diz que não quer ficar muito tempo imóvel, na frente do meu igualmente estático sorriso de esperança, e acaba com as migalhas do afeto que eu nem cheguei a plantar ainda. Eu não sou mais criança, a propósito, hoje faço crianças, mas isso não vem ao caso (meu senso de humor nessas horas me deprime). Eu não entendo olhares perdidos ao ócio excitante, eu não sei ler lábios, só beijá-los. Não gosto de dificuldades, obstáculos são chatos e eu prefiro sorvete, se for assim. Se nem chegou ainda, como já vai embora? Poxa, se eu fosse você, nem teria batido na minha porta. Perdi meu tempo, e tempo é tão caro. Às vezes cruel, mas nada, nada, nada barato. E eu sei que você sabe disso. Não vou gastar papel te dando meu telefone, já passei da idade de ficar esperando o barulhinho insosso tocar, além disso, quem pede o número nunca liga mesmo, aprendi isso na prática. Não precisa falar nada, então... Blá, blá, blá... Que droga! Eu não sei me comportar na sua frente. Quer um cigarro? Eu voltei a fumar por sua causa. Voltei a beber também. E a me perfumar... Maldita rinite! Você tem um lenço? Tem uma vaguinha no meu sofá, está tarde, né? Janta comigo?

*o título faz referência às histórias do blog Quase amor, da minha querida amiga Lili. Porque tem dias que eu adoro ler e escrever coisinhas de tom ‘agridoce’. A vida é um teatrinho de quase histórias de amor sim e eu estou aprendendo a encená-las...

Às vezes nos acostumamos a ver o horizonte pela janela, sem perceber que é a vida que segue imóvel, incrédula, amarga... Até que vem uma vontade descomunal de encarar a paisagem de frente, sem frestas, nem vidro embaçado de janela, olhar de frente o destino imprevisível que nos foi concedido...
Vou ali, prometo não demorar...
A vida? Esta eu quero beijar, na palma da minha mão, iluminado pela luz do sol.
Sabe qual é seu problema? Você é amargurado... Por isso fica sozinho, se segurando nas paredes molhadas com mofo e poeira. Já se acostumou a ser assim, come os corações alheios, rumina e depois vomita em pedaços de sangue coagulado. Eu não, eu quero olhar bem para esse horizonte à minha frente e imaginar a vida como um eterno amanhecer... Liberto de suas ilusões, quem sabe seja o meu destino agora bailar caminho afora, abraçando a liberdade desejada e a tão duras penas conseguida? É, nem sinto mais faltas dos seus beijos, veja como mudei...
Você sempre esteve livre, eu nunca te acorrentei... Não cuspo corações, pois nem nunca os engulo, como falou em ressentidas frases mal formuladas. A necessidade alheia de ter um alguém para chamar de seu é tão grande que consome até o amor próprio. Eu não pedi seu coração, eram transas rápidas, curtas, descompromissadas, não dava tempo de doarmos nada um ao outro, exceto compartilhar o prazer, pois embora você duvide, não sou egoísta. Se quer saber, a solidão não é minha amargura maior, se é que tenho alguma. Esteja livre, mas saiba que nunca te prendi, apenas à noite, em meus braços, em meus beijos, estes que sequer sente falta hoje.
Eu não sou tão fácil quanto você imagina, e me amo sim. Por isso estou te abandonando. Se vira sozinho nas madrugadas regadas a vinho e poesia, faz do silêncio dessa casa imensa sua companhia mais gostosa, rasgue minhas fotos, apague minha imagem de sua mente... apesar de tudo, eu te amei sim, como uma overdose, me humilhar por seu afeto era minha droga favorita nos últimos tempos.
Eu não te amo, aliás, nunca te amei, mas eu gosto de você. Acredite: se eu não me apego, não é por não querer, não tenho coração de gelo, mas coração de puta, eu sei e admito... E nunca vou poder mudar isso. Não faço do outro minha extensão, mas complemento do meu desejo. Guardo sua intensidade aqui comigo, mas nunca me prometi a ti. Se você ama a sua liberdade indo embora, eu prezo a minha desapegando-me quando acho necessário.
Até quando o outro se apaixona?
Até quando eu me apaixono.

Há 17 anos, num intervalo do Xou da Xuxa, uma notícia mexeu comigo: num dos plantões da Globo, anunciaram a morte do Cazuza. E o que eu sabia do Cazuza? Meses atrás chegara uma revista ‘Veja’ em minha casa, com a imagem definhada do cantor estampada em sua capa. Desde então, eu evitava olhar para a foto da revista, eu tinha medo daquele ser. Com a notícia da sua morte, acho que me veio coragem... Arranquei a revista do fundo da gaveta e encarei a imagem da capa. Senti pena... Naquele momento, aos sete anos de idade, eu não sabia sequer o que era sexo, mas já sabia o que era AIDS, sabia que era uma doença incurável, e quão ruim é para uma criança saber que uma enfermidade é fatal, que não há remédio para curar a dor de quem sente, nem para curar a dor de ver o outro sofrer. E morrer não é bom por se tratar de ser o fim. Anos após sua morte, a poesia do Cazuza nascia para mim, e esse fim nunca ocorrerá, a morte levou o artista, mas a arte o eternizou. Achei uma coisa maior que a morte: a arte. E ela faz com que o Cazuza permaneça vivo aqui. E para quem acreditava que só as mães são felizes, ele iria rir do ocorrido: de tão belo, se tornou eterno! Em imagens, sons, poemas, ele fez de seu pranto, um grito de rebeldia tão descomunal que até hoje abala os alicerces do Sistema. Ele que fez da sua dor de amor, um grito eterno de paixão. Canta, Cazuza, ou voa, cria codinomes, bate as asas, beija-flor, eu protejo em alcunha, sua pessoa, como você sempre fez sonhando acordado...
Eu preciso dizer que te amo
Quando a gente conversa contando casos, besteiras
Quanta coisa em comum, deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer, me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo, te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo, tanto
E até o tempo passa arrastado só para eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero ser ter amigo
É que eu preciso dizer que eu te amo, te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo, tanto
Eu já não sei se eu tou me estourando, ah, eu perco o sono
Lembrando em qualquer riso teu qualquer bandeira
Fechando a abrindo a geladeira a noite inteira
É que eu preciso dizer que eu te amo, te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Mesmo que dure o tempo mais perdido possível e eu não consiga ver nada além de desalento... Eu me encararei nesse espelho convexo.
Trovoadas de inverno, vindas do inferno. Mas elas passam, ah, passam sim... E deixam um dia perfeito com direito a raios de sol iluminando meu sorriso. Depois perceberei que o orvalho decorreu de minhas lágrimas e já não permitirei chuvas esporádicas dentro de mim...
Surpresa! Essa seria a palavra correta. O Vale da solidão recebeu outra indicação, a de “Uma das sete maravilhas da Blogosfera”, e veio das mãos de um grande amigo, o Darlan, que teve seu blog indicado entre os 05 que me fazem pensar. Agora posso escolher mais 07. Como meu blog não dá pra copiar o selinho, eu mando por e-mail para os indicados. E assim que escolherem os seus 07 me avisem, quero conhecer as escolhas de vocês. E os meus escolhidos são:
Uppers ´n downers: adoro amo, me divirto. A Debbie é maravilhosa!
Trajédia: poesia pura e honesta.
Crepúsculo dos deuses: maravilhoso!!!!!!
Ju simplesmente: lindo, sem ser piegas. Intenso...
Polly ok: sem papas na língua, menina ‘CAPRICHOsa’, literalmente.
Aqueta: conterrâneo amigo, escritor excelente, poesia decente.
Segredos de liquidificador: é sentimento pairando por cada frase.

Tem dias que o melhor tarja preta é o cobertor, aquele manto precioso que nos entorpece e nos protege do mal, como um escudo, uma redoma de vidro inabalável... Com dificuldade, arrasto apenas o braço. ‘Líricas’, do Zeca Baleiro, ecoa por todo o quarto, levo a mão no rosto molhado, arranco as pilhas do relógio para matar o tempo, que corre, que passa, mas pára agora, perante minha maldade. Antes de voltar a adormecer, ainda escuto um verso da última canção, que murmura no meu ouvido: ‘a saudade é um filme sem cor que meu coração quer ver colorido’.