
Eu Sou |
Links |
Arquivos |
- 01/07/2008 a 31/07/2008
- 01/06/2008 a 30/06/2008
- 01/05/2008 a 31/05/2008
- 01/04/2008 a 30/04/2008
- 01/03/2008 a 31/03/2008
- 01/02/2008 a 29/02/2008
- 01/01/2008 a 31/01/2008
- 01/12/2007 a 31/12/2007
- 01/11/2007 a 30/11/2007
- 01/10/2007 a 31/10/2007
- 01/09/2007 a 30/09/2007
- 01/08/2007 a 31/08/2007
- 01/07/2007 a 31/07/2007
- 01/06/2007 a 30/06/2007
- 01/05/2007 a 31/05/2007
- 01/04/2007 a 30/04/2007
- 01/03/2007 a 31/03/2007
- 01/02/2007 a 28/02/2007
- 01/01/2007 a 31/01/2007
- 01/12/2006 a 31/12/2006
- 01/11/2006 a 30/11/2006
- 01/10/2006 a 31/10/2006

Josué,
Faz muito tempo que não mando uma carta pra alguém, agora estou mandando esta carta pra você. Você tem razão, seu pai ainda vai voltar e com certeza ele é tudo aquilo que você diz que ele é.
Eu me lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito de trem a viagem toda...
Quando você tiver cruzando as estradas, no seu caminhão enorme, eu espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer pôr a mão num volante.
Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos, você merece muito, muito mais do que eu tenho pra te dar.
No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso porque tenho medo que, um dia, você também me esqueça.
Tenho saudade do meu pai.
Tenho saudade de tudo,
Dora

TÍTULO DO FILME: CENTRAL DO BRASIL (Brasil-1998)
DIREÇÃO: Walter Salles
ELENCO: Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Marília Pêra, Othon Bastos, Matheus Nachtergaele, Otávio Augusto, Caio Junqueira e Stella Freitas.

Sabe, a esperança voltou a me visitar de madrugada... Levemente doce dissimulada, fazendo renascer aquele gosto de coisa boa, que o tempo tomou de mim, como num golpe, culpando o destino. Ele, o destino, sempre culpado. Eu não temo as máscaras que tapam minha visão, represento as cenas da vida, num teatro fantástico, mágico, que só eu participo. E o que seria a vida senão um monólogo insólito, assistido por todos, cada um espectador de cada um e de si? E ainda a esperança, maldita, vem me falar de sonhos... Como se fosse fácil buscar no fundo do meu âmago as certezas que já não estão certas, a beleza que já não é mais bela. Queria ter uma foice, como a morte, a castrar essas migalhas de ilusão que me forço a sentir, extraviando meu bom senso. Pareço ridículo me reportando aos dramas que já se sucumbiram, que pertencem a um passado cujo baú está enterrado em algum lugar estranho que não é meu coração, mas é tão intenso o desmistificar da realidade que, ao menor passo do desejo, já estou regredindo: “Eu só fui feliz na infância...”.

- Olá, boa noite! No que posso ajudar?
- Eu... Eu estou com medo!
- Medo?
- É... Medo.
- Fale-me sobre.
- Estou sendo traída.
- E... ?
- Estou traindo também.
- E... ?
- Isso não está certo, eu amo meu marido.
- Então não traia mais.
- Mas ele me trai.
- Converse com ele.
- Fizemos um trato.
- E...?
- Um pode trair o outro, à vontade.
- E qual seu medo, então?
- Meu amante é diferente.
- E... ?
- Tenho medo de me apaixonar.
- Mas você já disse que ama seu marido.
- Amor e paixão são coisas diferentes, filha! Não sabe disso?
- Não... É que... Bom, onde se conheceram?
- Eu e o meu marido?
- Não... Você e seu amante.
- No pagodão do Zé Colhões.
- Ei... Você mora na favela amarela?
- É.
- Eu também moro lá.
- será que nos conhecemos?
- Não sei... Nem posso saber. O serviço pede a maior discrição possível.
- Ah, é?
- É sim. Prossiga...
- No quê?
- No assunto.
- Então, a amante do meu marido é uma loira azeda.
- E... ?
- Também estou com medo de ser trocada.
- E como você a conheceu?
- Ela vai na Marli, a menina que faz minhas unhas.
- ah, a Marli? Eu a conheço.
- pois é, filha, ela me contou da loira azeda que trabalha como atendente do CVV.
- Ei...
- Eu sei que é você, estou de olho
- acho que você está me confundindo. O Carlão é solteiro.
- Pai de 05 filhos e casado com a gostosona aqui.
- (Silêncio)
- você vai se fud...
- (Interrompendo) a CVV agradece sua ligação, tenha uma boa noite.
- Sua vagabunda!
(Desliga o telefone)

No bolso traseiro da calça que eu usei naquela noite ainda está um bilhete escrito num guardanapo... Meio amassado, com letras borradas, é a prova do sentimento ingênuo e vívido que vislumbrei outrora. Na minha veia, corre uma prece melancólica e interminável... Já não oro na esperança de ser ouvido ou de ter um desejo prontamente atendido, há uma ilusão religiosa que nos permite estabelecer conceitos e construir devaneios a cerca de palavras que se repetem à exaustão. No peito ainda há o som, na mão ainda há o toque tateando as cinzas do cigarro, misturado ao aroma da bebida derramada, gosto de sangue pisado, sangue morto, coagulado... Na atmosfera mais ampla dos sentimentos, junto com o ar, vem a necessidade de viver em prol de ideais absurdos, esqueça os domingos e as noites de lua cheia, estes se tornam infelizes, senão pela beleza esplêndida, escancarada. Duras palavras nocivas, derivadas de um amor ressentido. Amor plantado, desde o início, em forma de semente estéril num vaso de barro, regado com lágrimas secas.
26/04/2007
----------------------------------------------------------------------------------------
Vale a pena publicar de novo
Desafio feito pelo meu colega blogueiro Aqueta, a idéia é postar novamente algo que tenha escrito, gostado e que ficou na lembrança. Bom, agora é o seguinte: os blogs da lista abaixo também ficam desafiados e precisam indicar mais cinco blogs.
Fazendo estrelas
Silêncios do coração
Margaridas na janela
Dear catastrophe
My fenotipic

Estou de volta ao Vale depois de um pequeno período de férias, burlado por um emprego temporário que está me estressando
Nesse período recluso, pensei muito a cerca de tudo que me rodeia e sobre o meio em que vivo. Nada muito filosofal, bem tragicômico, para ser sincero. Cheguei a uma breve conclusão: só serei feliz quando finalmente inventarem três coisas...
Máscara para disfarçar emoções: sim, levei um chute bem grande na bunda, a minha vontade é de morrer, mas um simples coice não mata, então o que me resta é chorar na frente da pessoa, me descabelar, me humilhar, me destruir. Com uma máscara que cabe perfeitamente no bolso, eu disfarçaria meu choro, colocaria um sorriso bem grande no rosto e seguiria meu caminho... Coração destruído, bem verdade. Mas quem me chutou não precisa saber. E ainda solto a frase mais utilizada pelos meninos birrentos – ‘eu não queria mesmo!’- e dou de ombros.
Repelente contra pessoas chatas: sim, acabei a faculdade. O que vou fazer agora? Bom, que tal te matar e aparecer lindo no ‘Linha direta’ na próxima quinta-feira? Para evitar respostas desse tipo, ou ainda perguntas imbecis, eu passaria um repelente semelhante aos usados contra mosquitos, só que esse espantaria a tia chata e fofoqueira, o primo invejo, o-amigo-da-cunhada-do-vizinho-da-irmã-da-minha-avó, dentre outras ‘celebridades’.
Chip anti-bitolação: para colocar no cérebro de gente com falso moralismo ou alienada por padrões estabelecidos pela Veja, a Igreja (de qualquer religião) e programas vespertinos de inutilidade pública.
P.s.: Com tudo isso percebi que meu mau humor é uma dádiva, não preciso distribuir sorrisos falsos só para ser ‘Pop’, detesto mais gente do que supunha e meu travesseiro é o melhor remédio contra dor de cotovelo.