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O final
(Para ser lido ao som de “Mil pedaços” da Legião Urbana)
Arbitrário. E digo mais do seu amor: solitário. Daqueles que medem a intensidade da relação pela quantidade de esperma jorrado no êxtase da transa. Pelas noites que seguem em lua crescente e depois mingua, e cala a boca com as mãos. Não merece nada mais que minhas costas, viradas ao avesso, meu desprezo sutil, singular. Só eu, plural se fossemos nós. Me molho nesse mar de lágrimas que seca a cena do embate triunfal. Nascemos para sermos elos, mas nos transformamos em peças substituídas, tomadas em assalto, desenlace dos mais coléricos cheio de rancor, tristeza e outras vicissitudes. Digamos que eu tenha passado os dias com medo da sua reação – já imaginando que ela fosse aquela que eu não queria – mas as palavras mal ditas nunca foram tão benditas como na ocasião. Comecei te acusando de arbitrariedade, mas o erro parece ser meu. Quem se deixa ser dominado corre o risco de ser tomado à exaustão. Pega uma parte desse corpo, leva para a comunhão de outrora, não esquece do prazer – seu – e da honra – minha -. Solitário agora me considero. Brindemos com um cálice esse final mórbido, frio. O sangue que é servido fica coagulado aos parênteses no texto decorado: “Meu amor, se quiseres voltar – volta não – porque me quebraste em mil pedaços...”.

“Coisas assim, você sabe? Eu, sim: amar o mesmo de si no outro às vezes acorrenta, mas quando os corpos se tocam as mentes conseguem voar para bem mais longe que o horizonte, que não se vê nunca daqui. No entanto, é claro lá: quando os corpos se tocam depois de amar o mesmo de si no outro. Portanto, não se olham. E não sou eu quem decide, são eles. Não se deve olhar quando olhar significa debruçar-se sobre um espelho talvez rachado. Que pode ferir, com seus cacos deformantes."
Caio Fernando Abreu
Lendo isso, eu penso num passado remoto, mas somente passado, folha de calendário arrancada e jogada no lixo. Parece que ainda dá pra escutar baixinho no escuro do corredor interminável: “I know nothing stays the same/ But if you really to play the game/ And coming around again /So don't mind if I fall apart/ there's more room in the broken heart...”
Série: Vou te contar...
Final
Quem era o Júnior que começou escrevendo lá no "planeta jr." e quem é o Júnior hoje, do Vale da Solidão? A Solidão ainda é presente? Como foram as mudanças desde aquele tempo e qual o papel do blog nisso tudo? Te ajudou de alguma forma?
Darlan, http://palavrasobliquas.wordpress.com - 08/01/2008 12:45
Quando resolvi escrever num blog, quis fazer uma miscelânea de tudo aquilo que me rodeava e eu gostava, daí a idéia de um ‘planeta’ que pudesse reunir as coisas que, de algum modo, denunciassem traços inevitáveis da minha personalidade. O Planeta Júnior durou quase três anos, nesse período tive um outro blog, só de poesias, chamado Anjo no espelho, que não durou mais que dois meses. Com meus escritos amadurecendo senti necessidade de um blog mais heterogêneo, que tivesse a minha cara, mas não tão explícito, até porque eu cresci muito nesse período. Cresci e mudei... Às vezes comparo as coisas que escrevia quando adolescente e agora, adulto, percebo traços de complexos que sempre me incomodaram e que trouxe para além de Neverland, porém tais complexos já não me limitam quanto naquela época. Em nenhum momento quero me desvincular dessa solidão necessária que me inspira e me faz desabafar, através de eu líricos diversos. Quero é me aproveitar dela, escravizá-la e fazer dos meus dias cinzas palavras coloridas, embora repetidas. O blog ajudou a me reconhecer, me encarar em espelhos côncavos e convexos e não tentar deturpar as influências que pulsam dentro de mim e que são transferidas para o papel. Não tenho nenhuma pretensão em ser um escritor ou ainda de ver minhas lamúrias eternizadas em publicações, quero me desenhar, me auto revelar, me reconhecer, e quem sabe, encher a boca e esbravejar à la Coco Chanell: “não sou mais o que era... Devo ser o que me tornei".

Tudo pela metade
(Marisa Monte e Nando Reis)
Eu admiro o que não presta
Eu escravizo quem eu gosto
Eu não entendo
Eu trago o lixo para dentro
Eu abro a porta para estranhos
Eu cumprimento
Eu quero aquilo que não tenho
Eu tenho tanto a fazer
Eu faço tudo pela metade
Eu não, não percebo
Eu falo muito palavrão
Eu falo muito mal
Eu falo muito mesmo sem saber o que estou falando
Eu falo muito bem, eu minto
Agradeço a todos que acompanharam a série “vou te contar...” e/ou colaboraram com perguntas. Espero ter tirado um pouco desse manto que cobria minha face e ter me mostrado além de um personagem – coisa que não sou – para vocês.
E segue a programação normal no Vale da solidão, já que minhas férias foram adiadas para depois do carnaval.
Abraços!

Série: vou te contar...
Minhas perguntas são meio bobas, mas é só curiosidade mesmo. Se vc fosse um personagem de um filme, qual seria? E se fosse um personagem de desenho? e se fosse um personagem de novela? Nem sei se assiste novela, é tão culto, mas fica a pergunta, ou as perguntas.
Julie Bezerra, 07/01/2008 22:15
Se eu fosse um personagem de filme, sem dúvidas, seria o Howie (Matt McGrath) do filme “O clube dos corações partidos” (The broken hearts Club: A romantic comedy). Ele é um sujeito cheio de crises existenciais e sentimentais – assim como eu -, vive um relacionamento que mesmo depois do fim parece não ter fim, sem falar na boa dose de baixa auto estima. É um personagem engraçado, embora não seja cômico. Sensível, sem ser dramático.
Acho meio óbvio demais responder que se eu fosse um personagem de desenho animado seria o Charlie Brown, mas... Temos tantas coisas
Não vejo mais novela como antigamente, mas não resisto a uma boa história. Acho que só pseudointelectuais não admitem assistir algo adorado pela massa. Se novela aliena, mais alienante é viver num universo onde se faz necessário não admitir seus gostos por medo de exclusão. Eu adorava a novela Da cor do pecado, e me identificava bastante com a personalidade incompreendida do Abelardo Sardinha (Caio Blat). Um dia ele citou uma frase bem existencialista e no outro dia, na universidade, uma colega disse que se lembrou de mim na mesma hora.
Até que ponto seus escritos dizem de você? ;) abraços
Alexandre ALF, http://pensamentosilegais.blogspot.com - 06/01/2008 18:44
Talvez fale mais de mim do eu mesmo possa imaginar. Às vezes escrevo para mim coisas que jamais escutaria. Ou digo, em entrelinhas, coisas que jamais diria frente a frente. Na verdade, eu escrevo para não sucumbir ao peso de existir e todos os meus escritos humanos e desumanos tendem a ser um espelho da minha alma.
Eu me inspiro sempre em algo qdo peço pra alguém criar meu layout e gostaria de saber em que você se inspirou pra ter esse layout e se pretende mudar.
Estranha, www.diariodeumaestranha.blogspot.com - 07/01/2007
O atual layout do blog foi todo pensado por mim mesmo, queria uma cor mais neutra, haja vista que o antigo era todo escuro, o que dava um ar gótico ao meu espaço. Idealizei o template e falei com uma amiga, a Cynthia, que entendeu direitinho e fez da maneira que eu tinha idealizado. O anjo com asas de papel passa uma imagem de solidão e vulnerabilidade, sentimentos esses que estão sempre impressos em meus escritos. Não pretendo mudar agora, até porque não consigo vislumbrar nada que me represente tão bem.

Série: vou te contar...
Sei do teu temperamento impulsivo no que diz respeito a conhecer gente nova e de como vc é intenso e até mesmo determinista [quando vc gosta vc ama, qd vc não gosta vc ODEIA] mas eis uma coisa que eu sempre tive vontade de te perguntar: - Você se aproxima das pessoas quando simplesmente vai com a cara delas, mas o que faz você se afastar de alguém?
Tefa - http://riccio-riccio.blogspot.com - 06/01/2008 22:23
Há vários motivos para eu me afastar de uma pessoa. Um deles é perceber que não estou sendo importante para ela ou sou importante apenas em determinadas situações, tais como, quando a pessoa se encontra depressiva e quer conversar. Acredito que os verdadeiros amigos estão presentes em todas as situações e não apenas servindo de psicólogo nos momentos ruins. Outra coisa que me afasta das pessoas é quando me dou conta que ela não me engrandece, nem oferece nada de relevante à minha persona ou faz coisas que eu não aprovo e não respeita minha opinião contrária.
Vou pegar leve... Quero saber qual foi sua maior alegria e sua maior dor.
Cin - http://blogsegredosdeliquidificador.blogspot.com - 06/01/2008 22:23
Acredito que nunca tive um momento de maior alegria ou de maior dor. Tenho alguns bons momentos e outros péssimos momentos. Uma de minhas grandes alegrias foi conseguir cursar Filosofia, ter feito bons amigos lá e ter adquirido conhecimento. Com relação à dor, ter descoberto que estava doente e precisava operar em julho do ano passado foi algo que me desestabilizou emocionalmente, qualquer diagnóstico ruim é doloroso. Mas consegui superar.

Série: vou te contar...
Vamos lá: 1 eu sei que fruta vc mais gosta, e vc sabe qual eu gosto? 2 como vc dorme?Pelado ou de calção? 3 vc gosta de pastel de queijo ou de carne? 4 vc vê filme na cadeira, no sofá ou na cama? 5 vc faz a barba todos os dias? 6 eu amo vc, vc ainda ama eu???
Sila, http://digitaisdecadaum.blogspot.com - 06/01/2008 10:08
1 - Nós dois sabemos de quais frutas gostamos (piada interna). 2 - Eu durmo vestido com uma cueca samba canção. Just! 3 - Não como pastel frito, porque embora não seja mais adolescente, ainda sofro com acne. Então meu pastel favorito é aquele assado com recheio de goiabada. 4 - Quando estou no meu quarto, vejo filme deitado na minha cama. Se estou na sala, vejo filme sentado no sofá. 5 - Só faço a barba quando tenho alguma entrevista de emprego. Apenas aparo, com máquina, quinzenalmente pra não virar uma cópia do homem de Neandertal. 6 - Eu sou apaixonado por você!!!!
ai ai ai!! O que será que eu quero saber??hmm... Já sei! Qual é a coisa que você mais quer na vida? (nao vale dizer "paz mundial"!! haha) Beijoo
Psykhé, www.osbutiasdomeubolso.zip.net - 06/01/2008 23:41
Parafraseando Cazuza e enfeitando o meu maior desejo com uma frase extremamente poética: “Eu quero a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida”.
Se você pudesse criar um mundo regido somente por sua vontade, como este mundo se chamaria...?
J.F. Souza, www.intellectdeluxes.zip.net - 07/01/2008 13:31
Se o mundo fosse meu, regido por minha vontade, nada mais justo que dar o meu nome a ele. Sem falar que seria júnior também por ser o mais novo planeta do universo.

Série: vou te contar...
Gostaria neste momento de saber o motivo do nome do seu blog. Seria o Junior Creed um garoto solitário? Um super-anjo ou um super-homem vivendo na fortaleza da solidão?
Guto, http://quasepoema.zip.net - 05/01/2008 23:04
O nome do blog surgiu de uma interpretação que fiz de uma de minhas músicas favoritas, solitary ground, da banda holandesa de metal sinfônico Epica. O refrão diz assim:
I know that in me
Eu sei que em mim
there's still a place that
ainda há um lugar que
fulfils me
me completa
A sanctity here that I call home
Uma santidade aqui que eu chamo de lar
I run to
Para onde eu corro
when winter descends
quando o inverno chega
If I try, can I find solid ground?
Se eu tentar, posso encontrar terra firme?
Não me considero nem super anjo, muito menos super homem, acho que sou apenas uma pessoa que consegue transformar os momentos solitários em palavras, encaixá-los num contexto útil, num processo de autoconhecimento contínuo. Isso me lembra uma citação de Clarice Lispector que me inspira muito: "Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. É a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." Na minha concepção, Vale da solidão é aquele lugar escondido no cantinho da alma, onde preferimos ficar esperando o tempo passar, aguardando respostas, questionando nossos atos, agruras e inquietações existenciais... É quando saímos de dentro de nós mesmos e nos reportamos a um local onde somente o contato com nosso próprio eu é permitido. Confabulações, necessidade de renascimento, enfim, tudo aquilo que é capaz de nos transportar ou nos transmutar acontece no Vale da solidão... É muito mais que um momento, um delinear de situações que nos leva até lá, mas um estado de alma, espírito.

Série: vou te contar...
Como foram sua infância e sua adolescência?
Polly, http://pollyok2.zip.net - 08/01/2008 18:27
Ser adolescente era o caminho escuro que eu teria que enfrentar para chegar a ser adulto. Caminho tenso, denso, sufocante. Para alguns, a adolescência é aquela fase mágica de muita festa e pouca responsabilidade, de pompas e circunstâncias, de risos fáceis, sexo, drogas e rock and roll. Passei boa parte dessa fase existindo e não vivendo, como é o normal. Sempre fui muito confuso com meus sentimentos e muita coisa que me cercava ou que tinha preso dentro de mim, talvez sufocado seja o adjetivo mais correto. Assim como na infância, tive poucos amigos, raríssimos. Percebi que muitos só chegavam até a mim angariando respostas de provas na escola. Acho que só não fui o Nerd dos filmes de besteirol americano porque não tinha computador ainda, no entanto, me entupia de informações sobre determinados assuntos e bandas, vivia recluso em minhas divagações e atormentações.
Aos 14 anos cheguei ao grau máximo da rebeldia. Cansado dos defeitos do meu pai, fui morar com uma tia. Meu pai jamais me entendeu e eu nunca o entendi, seus defeitos se sobrepunham sobre suas qualidades, embora na ocasião eu jamais tenha percebido suas virtudes. Morando com minha tia as coisas se tornaram mais fáceis, ela trabalhava fora e eu ficava quase o dia todo sozinho, nessa época comecei a me corresponder com algumas pessoas Brasil afora, anônimos que eu achava nas revistas teens que minha irmã me enviava de vez
O universo juvenil começou a se abrir pra mim mesmo durante o ensino médio, quando alunos oriundos de outras escolas se tornaram uma grande novidade para mim e pude, finalmente, andar
Com esses amigos segui até o final do ensino médio, o mesmo grupo, muitos dilemas, muita bagunça e muitos desafetos, já que os professores nos abominavam. Eu era o mais sonso da trupe, parecia ser quieto, mas nas entrelinhas era tão bagunceiro quanto o restante. Por outro lado, nem tudo era felicidade, nesse mesmo período começaram em mim conflitos internos que nasciam do nada. Desde não saber se o que eu era, era eu mesmo até fingir ser o que não era porque o que eu deveria ser não poderia parecer correto. Inquietações existencialistas demais para um jovem de 17 anos... Começava aí o meu martírio interior, já que justificava minhas atitudes não pela auto aceitação, mas pela aceitação alheia, achava que se eu mudasse as pessoas se afastariam de mim. Passei os anos seguintes escrevendo sobre isso em diários camuflados, cheio de verborragias alucinadas e alucinógenas sobre o meu papel no mundo. A literatura e a música me ajudaram muito. Nas letras do Renato Russo enxergava que a totalidade do ser humano é concebida quando ele, finalmente, se dá conta que é cidadão do mundo e que sua felicidade depende exclusivamente da realização de suas vontades. E nada, absolutamente nada, é errado perante os olhos internos da auto aceitação. Aos 19 anos me descobri num estado de êxtase tão grande, que o surreal do prazer era vivê-lo com intensidade, sem dramas, nem castração. Com isso, pude finalmente ver que os defeitos que tanto me incomodavam no meu pai também eram meus. Que ele errava e eu também estava apto a errar, porque somos seres humanos e falhamos diariamente. Erramos para aprender com os erros. Meu pai adoeceu e eu imaginei jamais poder pedir desculpas a ele... Engoli todo o orgulho que me segurou durante anos e fui visitá-lo no hospital. As palavras não foram necessárias, um abraço falou muito mais. Reconciliar-me com meu pai foi uma chance que a vida me deu de reparar erros antigos. Voltei a morar com meu pai, minha mãe e minha irmã. Respeito-os na individualidade de cada um, e sinto a recíproca. Meus medos escoam todo dia num ralo imaginário chamado coragem. Coragem de ser eu mesmo, de me aceitar e, principalmente, de poder ser eu mesmo.

Série: Vou te contar...
Bem, queria perguntar mesmo sobre a infância desse baiano da voz bonita. Quero detalhes sobre todas as cores, tons, sabores, cheiros, brincadeiras, amizades. Quero saber dos gostos desse menino quando era pequeno. Dos sonhos que alimentava, dos super-heróis que admirava. Como era a visão familiar. Pais e mães, parentes e vizinhos. Quero saber das brincadeiras e descobertas. Se teve cheiro de terra ou asfalto. Quero e peço pela imagem em forma de palavras de sua infância.
Diana, http://margaridasnajanela.blogs.sapo.pt - 05/01/2008, 22:49
Como foram sua infância e sua adolescência?
Polly, http://pollyok2.zip.net - 08/01/2008 18:27
Nasci numa minúscula cidade do interior da Bahia chamada Governador Lomanto Júnior – também conhecida por “Barro Preto” -, sou o caçula de uma família grande e, portanto, sempre fui o mais paparicado. Minha infância tem cheiro de saudade... Foi, de fato, a época mais feliz da minha existência, vivenciei emoções fortes e saudáveis, vivi a fase criança acreditando que aquele sonho era eterno, um complexo de Peter Pan precoce e despreocupado. Passava a semana na cidade e nos finais de semana ia para a fazenda que meus pais tinham na época, era só farra com meus primos e irmãos. Uma das lembranças mais engraçadas foi quando aos 06 anos de idade, fui desafiado por um primo mais velho a subir numa goiabeira e jogar uma pedra numa casa de moribundos. Resultado: fui picado pelos insetos, caí da árvore e fraturei o braço direito. Tudo seria menos trágico se os moribundos também não tivessem picado o meu primo, autor da idéia. Mesmo chorando, eu ria da situação.
Meus ídolos nessa época eram todos relativos ao Xou da Xuxa. Desde a apresentadora loira e saltitante, passando por He-ma, She-ra, Caverna do Dragão e Thundercats. Depois que aprendi a ler, a televisão ficou em segundo plano, começava aí minha paixão pelos livros, lia tudo que chegava às minhas mãos, mas os livros da Ruth Rocha eram os meus favoritos. O clássico “Marcelo, marmelo, martelo” tinha um lugar especial na minha prateleira, até porque, assim como o personagem principal, eu era muito curioso.
Por volta dos 10 anos vim morar em Itabuna – cidade que se comparada à Barro Preto é uma grande metrópole – e nem foi traumático deixar meus parentes e meus primos , meus melhores amigos, naquele lugar. Sempre viajava à Itabuna e gostava do ambiente grapiúna. Meus problemas só apareceram quando cursei a 4ª série do ensino fundamental numa escola itabunense, não sei se pela dimensão da escola, mas eu não conseguia me adaptar, me tornei uma criança introspectiva, passei mais da metade do ano sem sequer fazer um amigo e minhas notas despencaram drasticamente. Quase no final do ano conheci a Gláucia, tão excluída quanto eu, esta por ser repetente e ter uma irmã gêmea que ultrapassou a sua série escolar, percebi que as pessoas faziam piada disso. Acabei conhecendo a Gláucia melhor e nos tornamos inseparáveis. Amizade esta que temos até hoje, mesmo ela já estando casada e esperando o seu primeiro filho.
Meu maior sonho infantil talvez fosse preservar essa essência em mim e trazê-la para a vida toda, ler, desenhar, pintar, sorrir com ingenuidade, enfim, queria guardar o mais belo dos sentimentos em mim. Às vezes fazendo uma análise mais aprofundada da minha infância percebo que vivi cada ciclo de modo significativo e intenso. Fui levado, quieto, compreensivo, birrento, corajoso, covarde... Acreditei que as nuvens eram de algodão, no sonho do Papai Noel, nas peripécias do Menino maluquinho, acreditei que ser criança era ser eterno... E, em sonho, sou.
Depois falo da minha adolescência e dos meus conflitos internos e externos, mas já adianto: não foi fácil superá-los.
Palavras-chaves: infância, felicidade, sorriso, doce, goiaba, Xuxa, travessura, livro, introspecção, amigos, escola, fantasia.

Júnior, acompanho teu blog desde quando você escrevia no Planeta Júnior, há mais de dois anos. Gosto mto de tudo o que você escreve, mas sinceramente sinto falta de saber um pouco da sua vida, como você costumava falar no seu antigo blog, fico curiosa em saber se o que escreves é o que acontece com você ou faz parte da sua literatura, sua maneira tão particular e intensa de escrever. Beijos de uma fã de longe.
Julie Bezerra, 04/12/2007 - 23:00
Junior... Adoro seu blog, mas da uma curiosidadeeee de saber quem vc é. rs Talvez um blog paralelo a esse, que tal? bjs.
Adriana, http://adrianabre.blogspot.com, 03/12/2007 - 20:52
Creed, teus textos sempre com aquele ar de quem esconde algo, apesar de se mostrar. grande abraço
André Gabriel, http://trajedia.zip.net, 27/11/2007 - 07:01
Quem visita o Vale da solidão há algum tempo sabe que no começo de cada ano sempre tiro uns dias de férias desse mundinho particular. No entanto, antes de dar um passeio e voltar de energias recarregadas, escrevo uma série. Relendo alguns comentários, percebi um leve interesse sobre a minha vida... Embora eu fale bastante de mim aqui em meus textos e nas entrelinhas, algumas pessoas querem me conhecer melhor. Partindo desse pressuposto tive a idéia de fazer uma série só com perguntas e respostas a meu respeito. Mas como não sei o que querem saber sobre mim, deixo abaixo a caixinha de comentários aberta a qualquer tipo de pergunta, dúvida, curiosidade, enfim, qualquer coisa que quiserem saber a meu respeito é só deixar a perguntinha gravada que a partir de quarta-feira, 09/01, começo a respondê-las. As perguntas devem ser deixadas até a terça-feira, 08/01.
Conto com vocês!