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A volta
Parece que volto para minha casa depois de uma estadia num país longe, frio e inconstante... E o caminho da volta é sempre mais gostoso que o caminho da ida, principalmente quando a viagem se deu de maneira forçada. Reconheço cada pedra que piso agora, avisto pessoas e vou acenando para cada uma, vislumbro os postes correndo, a relva, o girar do carrossel chamado vida, a sensação é única. Poderia ter deixado um bilhete pregado à porta explicando a quem me visitasse, que iria dar um tempo, espairecer, mas não tive forças para isso. Conversei com amigos mais próximos, expus minhas dores, senti o carinho, me senti amado. Refaço agora o vôo de uma borboleta que acabou de sair do casulo. Um dia entrei lagarta e me vi em hiatos, agora saio forte e a luz do sol brilha tão incessante na minha vida, que estou pronto para encarar qualquer coisa. Tudo é aprendizado. Até a dor... Especialmente a dor. Humano demasiado humano, é o que sou, aprendo no sofrer, quando as feridas ardem... Preciso cair para me levantar com mais fé, quero aprender com os erros, a Terra é uma escola. Tenho necessidade de me fazer ponte a me levar aos quatro cantos de mim mesmo: razão, coração, solidão e paixão.
“Subi correndo no primeiro bonde, sem esperar que parasse, sem saber para onde ia. Meu caminho, pensei confuso, meu caminho não cabe nos trilhos de um bonde.”
Caio Fernando Abreu